segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Estruturação territorial. Alguns dos princípios.


A ocupação urbana do território tem vindo a merecer, desde o inicio da segunda metade do século XX, aqui e lá fora, alterações bastante profundas, que se reflectem no tipo e modo de vivência das nossas terras ou comunidades.

Como se sabe, “a cidade antiga traduz-se numa caracterização compacta, densa, centrípeta, unicentrada e sedentária. Pelo contrário, a cidade emergente e actual, espalha-se pelo território, articula-se com a natureza ou espaços naturais, é fragmentada, dispersa, policêntrica, assenta na mobilidade”. E talvez sejam esses alguns dos factores que, em parte, contribuem e conferem ao território actual, a diversidade e heterogeneidade que importam realçar para a vivência em comunidade.

Será também (provavelmente) por isso que se fala, hoje em dia, incessantemente, na “formulação de metodologias de ordenamento do território”.

É pois, inevitável, ponderar alguns desses princípios ou conceitos que potenciem abordagens tecnicamente sustentadas (e sustentáveis), que nos ajudem a perceber as dinâmicas territoriais e o reflexo que traduzem no dia-a-dia da população.

Cada território urbano deve, pois, ser assumido tal como hoje se apresenta, com a sua real expressão territorial, com os seus limites geográficos, físicos, naturais, históricos. Com as suas continuidades. Mas também com os seus fragmentos e vazios, com as suas periferias, com as suas diferenças, com as suas diversas formas e funções.

Um bom ordenamento será, por isso, aquele que promova a articulação de cada nova intervenção com a ocupação existente, com a história, com o saber local, com as pré-existências, contribuindo para atenuar debilidades e, paralelamente, aproveitar as suas potencialidades.

Logicamente que o território urbano, mesmo que se apresente aparentemente fragmentado e disperso, não se deve traduzir, necessariamente, como caótico. Necessita, para a sua legibilidade, de um conjunto de referências que o torne compreensível e perceptível. No todo e em cada uma das suas partes.

Naturalmente poliforme, o território urbano, não deve ser promíscuo. Composto por diversas partes, as suas formas, funções e identidades deverão distinguir-se. Será ainda de salientar a importância da defesa, dentro de cada parte, da sua coerência interna, de uma vivência própria, de uma forma específica: de uma identidade

Portanto, para assegurar, simultaneamente, funcionalidade e legibilidade é necessária uma estrutura, a qual deverá ser entendida como esqueleto articulador dos elementos essenciais do sistema. Não só os funcionais mas também os históricos e os simbólicos.

Ora, sendo o território constituído por diversas partes, importa considerá-las, explicitá-las, e articulá-las, reconhecendo-lhe assim a identidade e verdadeira unidade territorial.

É disso que se trata.

No recente e conhecido caso de Milheirós de Poiares, creio estarmos perante essa simbiose de convivências naturais e de “encontros salutares” com a geografia, história, e referências identitárias do lugar. Um lugar do qual fazem parte pessoas e afectos. Estamos, estou convicto, perante uma identidade e uma estrutura que, salvo distintas opiniões, fazem parte de uma imensa terra, de seu nome Santa Maria da Feira.

Por isso, conscientes das diferenças, dos limites e das identidades, concentremo-nos nas oportunidades, nos desafios, nos desígnios. É isso que nos transmitem as orientações vertidas no nosso actual modelo de desenvolvimento urbano, aprovado e publicado em Diário da República, pelo Aviso n.º 6260/2015, de 5 de junho.

Nesse contexto, estou certo de que Milheirós precisa de Santa Maria da Feira.

Mas Santa Maria da Feira também necessita de Milheirós de Poiares. Daquela porção de território. Daquela gente.

Porque juntos, representamos mais de um por cento dos portugueses...

domingo, 1 de janeiro de 2017

Vamos lá.

3, 2, 1...

2017

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

É forçoso ser inventivo...

“Há vinte ou trinta anos descobri que a paisagem se iria transformar num campo de invenções. É forçoso ser inventivo, porque a paisagem do futuro é um mistério e a paisagem do passado não pode ser reconstruída”.

Bernard Lassus

domingo, 15 de novembro de 2015

Paris, 13 de Novembro


Paris, 13 de Novembro. 2015!
Atentado terrorista. EI...

Pois é.

Quando se comenta a grande "migração desta nossa Era", a grande "viagem" dos refugiados para a Europa,devemo-nos lembrar que:

- Não fogem da morte.
Não querem um nova ou melhor vida.
Vêm, simplesmente, à procura de "uma VIDA".

E nós, temos o dever, quanto mais não seja moral, de os tentar perceber e acolher.

Curvemo-nos, por ora, perante a memória de todas as vítimas do terrorismo: da França, da Europa e do Mundo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

RMUE - Município de Santa Maria da Feira


Após a entrada em vigor da revisão do Plano Director Municipal de Santa Maria da Feira, foi hoje publicado, em Diário da República, o novo REGULAMENTO MUNICIPAL DE URBANIZAÇÃO E EDIFICAÇÃO (D.R. Aviso n. 11903/2015).

O novo RMUE, que entra em vigor na próxima segunda-feira, pretende ser o corolário de todas as inovações e alterações legislativas e regulamentares, designadamente da estratégia definida no âmbito do processo de revisão do PDM e do resultado da prática e da experiência acumuladas que tenha reflexo directo na paisagem urbana.

sábado, 3 de outubro de 2015

Conversas nas paisagens da diversidade urbana




“Por dentro da AMP” é um projecto que pretende debater a contemporaneidade urbana da Área Metropolitana do Porto (AMP).

Através de visitas-guiadas a lugares metropolitanos seleccionados, reflecte-se e questiona-se a ideia de um espaço coeso, compacto e centralizado no Porto, dando a conhecer a natureza diversa e complexa dos processos de transformação urbana e paisagens deles decorrentes.

“Sob a abrangência territorial da AMP e as temáticas mais reveladoras da explosão do urbano, a construção dos percursos interpela e provoca os intervenientes das instituições locais e da investigação urbanística que guiarão estas viagens metropolitanas”.

O primeiro encontro realizou-se, esta tarde, em Santa Maria da Feira.

Com um conjunto de investigadores e técnicos de alguns municípios da AMP (guiados por Ivo Oliveira, autor da tese de doutoramento “Revisões da Infraestrutura Viária Local: o reconhecimento do Lugar Público no Território Desruralizado e Extensamente Urbanizado de Santa Maria da Feira”) visitamos e conversamos sobre a questão da infraestrutura e urbanização em Santa Maria da Feira.

Reflectindo sobre alguns “fenómenos urbanos do território, iniciamos o percurso através da linha do Vouga entre a estação da “Vila da Feira” na sede do concelho, e a estação/apeadeiro de “Sampaio de Oleiros” (são assim denominadas).

A caminhar entre Oleiros e o Museu do Papel de Paços de Brandão fomos “trocando ideias” sobre a relação entre a indústria e o actual padrão territorial em que se destacam alguns loteamentos urbanos dos anos 70, 80 e 90 bem como as quintas e espaços verdes que resistem e contribuem para a manutenção do equilíbrio e dimensão urbana do território.

Percorremos depois, de autocarro, o eixo “Paços de Brandão-Lamas-Lourosa-Fiães” para reflexão sobre os principais fenómenos urbanos de Santa Maria da Feira, a industria corticeira, a sua relação com a estrutura urbana, a Estrada Nacional 1, as conexões a explorar ao nível transportes colectivos. Contemplamos também, por momentos, o Vale do Uíma e abordamos o papel do sistema hidrográfico e dos espaços agrícolas na caracterização da urbanização (os passadiços do Uíma tornar-se-ão, naturalmente, uma espécie de rede capilar que potenciará a relação entre o espaço urbano e o espaço natural).

De regresso a Santa Maria da Feira, percorremos ainda a EN 326 (passando pelo cruzamento com a EN 223, na Corga de Lobão) até Louredo, inflectindo aí em direcção aos limites entre Romariz e Guisande local onde pudemos “observar” o canal da A32 e tentar perceber as transformações resultantes da inserção das novas infraestruturas viárias e sua potencial relação com o desenvolvimento futuro do território local.

Tempo também para explorar a área envolvente às Termas de S. Jorge, sua relação com o Uíma e dar a conhecer o “cluster” nacional da industrial de puericultura.

Mesmo a finalizar, uma passagem pela “Estrada Real” e reflexão acerca do seu papel na história, a sua transformação e o seu potencial como referência urbana e turística da região.

Este projecto integra-se no âmbito da “ARQ OUT 2015” da Ordem dos Arquitectos (SRN): a celebração do Dia Mundial da Arquitectura é na primeira segunda-feira do mês de Outubro e tem nestes e noutras iniciativas o prolongamento das comemorações a todo o mês de Outubro.


PNCS, 03 de Outubro de 2015

domingo, 22 de março de 2015

JORGE PALMA


JORGE PALMA ao piano, na companhia do filho Vicente Palma e do acordeonista Gabriel Gomes (Sétima Legião), proporcionou-nos no Sábado, 21 de Março, um concerto memorável no cineteatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira.

Integrado na tour acústica “íntimo”, Palma viajou pelos seus 40 anos de carreira.

Um espectáculo diferente. Um espectáculo único.

Excelente.

”...Enquanto houver estrada p´ra andar
a gente vai continuar...”





sábado, 7 de março de 2015

Lavam. Lavam tudo...

Lavam. Lavam tudo.
Lavam. As “lavadeiras” da minha terra lavam tudo. Lavam as roupas, as suas mágoas, as suas frustrações.

As “lavadeiras” da minha terra lavam a roupa suja, impregnada de secreções da sua pele, lançadas por rios de suor, causado por dias e dias sem descanso. Trabalho por vezes duro, por vezes sujo, outras vezes limpo. Debaixo do sol, por vezes, impiedoso do Verão, do vento agreste que todos os Invernos varre as ruas e recantos da nossa aldeia.

As “lavadeiras” da minha terra lavam as suas mágoas, oriundas das dificuldades e carências desta sociedade, cada vez mais sedenta de vil metal, cujos meses longos são repletos de indesejáveis surpresas, e qui ça de enormes carências para colmatar. As doenças batem à porta, sem apelo.

A noite cai. Escura, sem lume. Triste.

As “lavadeiras” da minha terra lavam as suas frustrações. Cumprindo o velho ritual, carregam grandes “bacias” de frustrações que depositam sobre as pedras gastas de tanto esfregar.

E lavam. Lavam tudo.
Lavam a roupa, as suas mágoas e as suas frustrações...

(2010, 27/01)

sexta-feira, 6 de março de 2015

2015 / Março


2015, Março.

Para que a amnésia, o esquecimento e o amadorismo não sejam a tónica dominante neste pequeno lugar chamado Portugal.

Novamente crónicas, pensamentos, desabafos. O registo de "certas confidências".

Vila Meã I Casa Rodrigo Marques

Na edição de Janeiro/Março 2003 da Revista Arquitectura & Construção, tive o privilégio de ver publicado um dos meus primeiros trabalhos profissionais realizado "a solo".


Talvez em breve, possa revisitar o meu amigo Rodrigo Marques, no seu retiro de fim-de-semana, lá no pequeno lugar de Vila Meã, pertinho do centro de Cerveira.






segunda-feira, 10 de novembro de 2014

"Os pobrezinhos" (*)


"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e c...omida.

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:

- Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.

O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, uma bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

- Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.

Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto(- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro)
de forma de deletéria e irresponsável.

O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico
- Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:

- Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeu

Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros

- O que é que o menino quer, esta gente é assim
e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse

- Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar
e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.

Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.

Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis".


(*)por LOBO ANTUNES

sábado, 7 de dezembro de 2013

M A D I B A


"Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos".

Nelson Rolihlahla Mandela
(Mvezo, 18 de julho de 1918 — Joanesburgo, 5 de dezembro de 2013)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

3, 2, 1...

Tempo de regressar?

domingo, 2 de dezembro de 2012

Não falo do que não sei


Não falo do que não sei. Sei que não sei de tudo.

Irritam-me pois, aquelas pessoas que insistem numa opinião sobre algo que lhes surge, assim como que... repentinamente.

Toda a gente precisa de ter "razão" na sua "interacção social".

Pois um dos defeitos graves que Portugal enferma é no argumento de que todas as opiniões são válidas.

- Não! Não é verdade. Sou alérgico a isso.

Mas sim, sou um tipo com "fair-play".

- Existir debate é vital!

sábado, 17 de novembro de 2012

2012

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011