terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Associativismo

Há dias, um amigo de longa data, lançou-me o desafio de escrever qualquer coisa sobre o Associativismo e o seu papel no desenvolvimento de uma terra ou região. Como tenho algumas dificuldades em negar esses “desafios”, decidi então, aceder.
Fraca hora...
Não foi preciso muito tempo, para perceber, o quão difícil é “dissertar” sobre esses movimentos que constróem e defendem a democracia participativa, que reforçam a intervenção dos jovens na vida social, numa simbiose entre a experiência dos mais velhos e a perspectiva dos mais novos na luta por uma mais ampla consciência socio-cultural.
E ainda mais difícil se torna a partir do momento em que o tal desafio nos é colocado por pessoas que, sendo participantes activos e activistas dos mais diversos movimentos associativos, tanto têm dado da sua vida pessoal em favor do progresso social e do desenvolvimento da sua terra.
Não pretendo, de forma alguma, questionar os métodos de dinamizar as diferentes associações, na medida em que, cada caso é um caso, e cada caso é, seguramente, merecedor do mais profundo respeito.
No entanto, arrisco “opinar” e apresentar a minha visão (oficial) sobre o papel que poderá desempenhar uma associação ou o movimento associativo em geral, na (re)introdução de dinâmicas de desenvolvimento e de inclusão neste nosso território.
Nos mais diferentes níveis de acção, as Associações podem, efectivamente, desempenhar um papel importantíssimo no desenvolvimento socio-cultural, como base estratégica do desenvolvimento de cada região. Como tenho defendido regularmente, existe um caminho importante para (re)descobrir: o investimento voluntarista na reconstituição do tecido social de solidariedade. Falo, por exemplo, do envolvimento da população e dos grupos de cidadãos na valorização dos serviços de proximidade, nas formas de economia social, no envolvimento de todos na promoção de cada terra.
No entanto, para que isso aconteça, será necessário que as associações se “abram” cada vez mais à sociedade e que promovam as inter-relações entre os diversos grupos de cada freguesia ou terra. Acima de tudo porque, com é normalmente aceite, as coisas podem representar um valor mais acrescentado se resultarem de uma dinâmica colectiva forte, através de uma conjugação de esforços...
Normalmente, e salvo as devidas excepções, cada associação vive mais ou menos na expectativa da construção do respectivo e “imprescindível” edifício sede.
Mas isso será assim tão fundamental? Cada vez que um elenco directivo qualquer se lembra em perpetuar para todo o sempre a sua passagem pela associação, terá necessariamente de ser através da construção de um edifício sede? A que custo? Quem paga? Qual é o resultado do binómio custo/benefício?
Haverá, isoladamente, uma rentabilização efectiva do espaço?
Penso que não.
Então qual é a solução?
- Evidentemente que uma associação necessita de ter um espaço. Um espaço digno e um espaço onde seja possível o grupo desenvolver as suas actividades.
Mas, talvez seja mais viável a conjugação de esforços no sentido da partilha e da comunhão dos espaços. E então, numa lógica em que as associações promovam actividades que ajudem ao desenvolvimento social da comunidade onde estão inseridas, nada melhor do que a existência de um espaço comum de reunião e acção/actividade, o qual pode ser dinamizado permanentemente, diariamente e com uma maior e melhor diversidade.
Tipo um “Fórum Associativo e Cultural”: um espaço multicultural, onde qualquer cidadão, seja qual for a sua origem, cor, estrato social ou credo, possa, eventualmente, “sentir-se útil” e “sentir-se em casa”. Um espaço que combata “as solidões” de muitas pessoas que, por vezes, teimamos em não querer ver.
Por outro lado, talvez esse sentido de partilha do espaço permitisse ainda um maior desenvolvimento de um trabalho comunitário, solidário, despretensioso e impregnado de paixão e dedicação. Obviamente que cada um dos grupos associativos possuiria uma pequena área devidamente delimitada de introspecção, mas depois... Bom, depois, todo o “núcleo central” do “edifício” seria de uma vivência tal que resultaria numa simbiose (quase) perfeita das diferentes e diversas formas de trabalhar para a comunidade. Sem sobreposições... Cada associação com a sua especificidade. Cada grupo com a sua independência. Mas todos os grupos com um desígnio: uma melhor terra para viver...
Porque fazer parte de uma associação é “...dar, sem nada estar à espera de receber...”.
Será utopia?

Um comentário:

Ângelo M.M. Cardoso. disse...

Eu queria perguntar se o Sr. entrou de férias aqui no Blog.