sábado, 8 de janeiro de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
REMA
A minha primeira música.
Cantei-a no Salão Paroquial, provavelmente há 27 anos. Teria então 10 anos.
Numa das festas da Escola de Música de Caldas de S. Jorge.
Lindíssima! Ainda hoje.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Para reflectir...
Aqui está o que um português comum talvez tivesse... reservas... em escrever.
Artigo do Embaixador da GB ao deixar Portugal: Expresso 18 Dez 2010
COISAS QUE NUNCA DEVERÃO MUDAR EM PORTUGAL
"Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento é de pessimismo, não de alegria, nesta velha Europa. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.
9:55 Segunda feira, 20 de Dezembro de 2010
1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.
2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.
3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.
4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.
5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.
6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.
7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.
8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.
9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.
10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.
Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz Natal".
Artigo do Embaixador da GB ao deixar Portugal: Expresso 18 Dez 2010
COISAS QUE NUNCA DEVERÃO MUDAR EM PORTUGAL
"Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento é de pessimismo, não de alegria, nesta velha Europa. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.
9:55 Segunda feira, 20 de Dezembro de 2010
1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.
2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.
3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.
4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.
5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.
6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.
7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.
8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.
9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.
10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.
Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz Natal".
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Lembrando MEU PAI
MEU PAI
Grato por tudo o que propiciou ao meu ser,
E na certeza que era grande, a alegria que o moldava,
serenamente, por dentro,
Arrisco estas simples mas sentidas palavras.
Chegarão ao seu destino,
Levadas pela brisa do amor e embebidas em gratidão que,
Seguramente, jamais se apagará.
Mas serão sempre poucas.
Poucas porque os seus gestos me ensinavam.
Poucas porque o seu olhar me orientava.
Poucas porque a sua bondade me comovia.
Poucas porque a sua serenidade me acalmava.
Poucas porque, simplesmente...
FOI SEMPRE MEU PAI.
Por isso, recuso dizer-lhe Adeus.
Prefiro antes lembrar os nossos sorrisos,
Prefiro antes guardar os nossos abraços,
Prefiro antes ouvir a sua voz,
Prefiro antes sentir o seu calor.
Prefiro antes, fazer com que esses momentos sejam... eternos.
Jamais o esquecerei.
Eu sei que ele não morreu.
Apenas partiu antes nós!
(27 Dezembro 1928 - 20 Outubro de 2008)
***Republicação***
Grato por tudo o que propiciou ao meu ser,
E na certeza que era grande, a alegria que o moldava,
serenamente, por dentro,
Arrisco estas simples mas sentidas palavras.
Chegarão ao seu destino,
Levadas pela brisa do amor e embebidas em gratidão que,
Seguramente, jamais se apagará.
Mas serão sempre poucas.
Poucas porque os seus gestos me ensinavam.
Poucas porque o seu olhar me orientava.
Poucas porque a sua bondade me comovia.
Poucas porque a sua serenidade me acalmava.
Poucas porque, simplesmente...
FOI SEMPRE MEU PAI.
Por isso, recuso dizer-lhe Adeus.
Prefiro antes lembrar os nossos sorrisos,
Prefiro antes guardar os nossos abraços,
Prefiro antes ouvir a sua voz,
Prefiro antes sentir o seu calor.
Prefiro antes, fazer com que esses momentos sejam... eternos.
Jamais o esquecerei.
Eu sei que ele não morreu.
Apenas partiu antes nós!
(27 Dezembro 1928 - 20 Outubro de 2008)
***Republicação***
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Certo dia em 2017... (?)
Certo dia, em 2017 (de acordo com os meus cálculos), dois indivíduos abriram a porta do seu híbrido, e saíram, na praça central do resort localizado a sudeste das termas (do outro lado do rio). Mesmo na direcção do buraco 18.
Caminharam um pouco e, um deles, entrou no hotel. Olhando por entre os painéis semi-transparentes, percebeu-se que o tipo estava ao telefone. Soube-se depois que fez cinco ou seis chamadas, todas elas para os jornais referência do burgo, regressando, novamente, à praça central.
Denotava-se segurança nos dois indivíduos que usavam à lapela, mesmo ao lado da gravata, uns pins cor prata. Um deles, dirigiu-se ao automóvel e de lá retirou um embrulho, do qual, libertou, sofregamente, um pão doce. O outro, após um rápido tratamento higiénico das mãos, deu duas "sopradelas" na pequena arma branca que tinha sacado do bolso mais pequeno. De seguida, sentaram-se, e deram, então, umas dentadas, enquanto esperavam.
Três quartos de hora depois, as copas das palmeiras começaram a baloiçar, inspiradas pelo aterrar de dois helicópteros. Eram elementos da "brigada das forças especiais". Ao mesmo tempo, começavam a aproximar-se os automóveis dos jornalistas.
De um dos helicópteros saiu, então, um indivíduo: vestia umas calças de corte requintado, tom azul marinho e gravata azul-grená; completava a irrepreensível imagem com um blazer tipo trespasse e botões dourados. Era o enviado especial do "governo regional". Ao largo, as restantes "tropas" aguardavam orientações enquanto o representante do governo regional, colhia algumas informações de última hora.
Após breves instantes, e já de megafone em punho, o representante da tal organização regional (após o aceno de cabeça de um dos seus acólitos) gritou:
-Ei! Vocês aí na Praça Central!...
Sem ter tempo de prosseguir, notou que os senhores do híbrido gesticulavam abundantemente.
Os dois, com o seu típico bom receber, abanavam os braços, sussurrando para o homem do casaco tipo trespasse, o tal do governo regional, que se aproximasse, pois só assim lhe poderia ofertar as boas vindas.
Mas, num gesto espontâneo, logo os acompanhantes do senhor que chegou de helicóptero (sim, porque isso de pagar portagens não está com nada) , se apressaram a dizer:
- Perguntem lá o que quiserem, mas rapidamente. Não temos o dia todo.
E era verdade. Soube-se então que estavam à espera de uma comitiva anglo-saxónica, disposta a investir lá para os lados do Europarque.
Retorquiram, timidamente, os homens dos pins prateados:
- Mas... Mas... Então não é possível fazer um arraial ou uma festinha popular aqui no campo de golfe, junto ao hotel? Nós já tínhamos tudo organizado, com tasquinhas e tudo.
Logo uma voz forte e impiedosa veio do outro lado:
- Nem pensar. Vamos ter cá esta semana uns empresários orientais e outros americanos. E continuou: - E de qualquer modo, como podem verificar nos outdoors ali à entrada, isto é " Private Property". Esqueçam. Organizem essas coisas lá para o passal.
Mas, como os senhores dos pins, não são assim tão bons de levar, retorquiram:
- Nós queremos apenas fazer aqui umas animações para o povo. Isso é ponto de honra. E de mais a mais, garantimos que a relva não será pisada. Vá lá!?
(Era amplamente conhecida a forma como anteriormente tinha sido divulgado o interesse público daquele punhado de terra…).
Alguns segundos após se ter feito silencio, o senhor do governo regional lá acedeu e disse:
- Está bem! Mas só durante a primeira quinzena de Agosto. Que fique desde já assente, que isto aqui tem regras! Já não é Vosso...
Convictos do dever cumprido, e depois de um inicialmente tímido aperto de mão, os dois senhores do híbrido despediram-se dos tipos do "Governo Regional" que de seguida se foram embora, apressando-se logo a comunicar aos jornalistas e à malta cá da terra que a negociação tinha sido difícil, mas que, afinal de contas, as coisas até correram melhor do que pensavam.
O povo ficara contentado !!!???
E assim será, um dia, lá para 2017?
Post Scriptum: Qualquer semelhança com a realidade é pura ficção...
Caminharam um pouco e, um deles, entrou no hotel. Olhando por entre os painéis semi-transparentes, percebeu-se que o tipo estava ao telefone. Soube-se depois que fez cinco ou seis chamadas, todas elas para os jornais referência do burgo, regressando, novamente, à praça central.
Denotava-se segurança nos dois indivíduos que usavam à lapela, mesmo ao lado da gravata, uns pins cor prata. Um deles, dirigiu-se ao automóvel e de lá retirou um embrulho, do qual, libertou, sofregamente, um pão doce. O outro, após um rápido tratamento higiénico das mãos, deu duas "sopradelas" na pequena arma branca que tinha sacado do bolso mais pequeno. De seguida, sentaram-se, e deram, então, umas dentadas, enquanto esperavam.
Três quartos de hora depois, as copas das palmeiras começaram a baloiçar, inspiradas pelo aterrar de dois helicópteros. Eram elementos da "brigada das forças especiais". Ao mesmo tempo, começavam a aproximar-se os automóveis dos jornalistas.
De um dos helicópteros saiu, então, um indivíduo: vestia umas calças de corte requintado, tom azul marinho e gravata azul-grená; completava a irrepreensível imagem com um blazer tipo trespasse e botões dourados. Era o enviado especial do "governo regional". Ao largo, as restantes "tropas" aguardavam orientações enquanto o representante do governo regional, colhia algumas informações de última hora.
Após breves instantes, e já de megafone em punho, o representante da tal organização regional (após o aceno de cabeça de um dos seus acólitos) gritou:
-Ei! Vocês aí na Praça Central!...
Sem ter tempo de prosseguir, notou que os senhores do híbrido gesticulavam abundantemente.
Os dois, com o seu típico bom receber, abanavam os braços, sussurrando para o homem do casaco tipo trespasse, o tal do governo regional, que se aproximasse, pois só assim lhe poderia ofertar as boas vindas.
Mas, num gesto espontâneo, logo os acompanhantes do senhor que chegou de helicóptero (sim, porque isso de pagar portagens não está com nada) , se apressaram a dizer:
- Perguntem lá o que quiserem, mas rapidamente. Não temos o dia todo.
E era verdade. Soube-se então que estavam à espera de uma comitiva anglo-saxónica, disposta a investir lá para os lados do Europarque.
Retorquiram, timidamente, os homens dos pins prateados:
- Mas... Mas... Então não é possível fazer um arraial ou uma festinha popular aqui no campo de golfe, junto ao hotel? Nós já tínhamos tudo organizado, com tasquinhas e tudo.
Logo uma voz forte e impiedosa veio do outro lado:
- Nem pensar. Vamos ter cá esta semana uns empresários orientais e outros americanos. E continuou: - E de qualquer modo, como podem verificar nos outdoors ali à entrada, isto é " Private Property". Esqueçam. Organizem essas coisas lá para o passal.
Mas, como os senhores dos pins, não são assim tão bons de levar, retorquiram:
- Nós queremos apenas fazer aqui umas animações para o povo. Isso é ponto de honra. E de mais a mais, garantimos que a relva não será pisada. Vá lá!?
(Era amplamente conhecida a forma como anteriormente tinha sido divulgado o interesse público daquele punhado de terra…).
Alguns segundos após se ter feito silencio, o senhor do governo regional lá acedeu e disse:
- Está bem! Mas só durante a primeira quinzena de Agosto. Que fique desde já assente, que isto aqui tem regras! Já não é Vosso...
Convictos do dever cumprido, e depois de um inicialmente tímido aperto de mão, os dois senhores do híbrido despediram-se dos tipos do "Governo Regional" que de seguida se foram embora, apressando-se logo a comunicar aos jornalistas e à malta cá da terra que a negociação tinha sido difícil, mas que, afinal de contas, as coisas até correram melhor do que pensavam.
O povo ficara contentado !!!???
E assim será, um dia, lá para 2017?
Post Scriptum: Qualquer semelhança com a realidade é pura ficção...
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Peço imensa desculpa...
De vez em quando, a gente exagera. E não havia necessidade.
Felizmente, há sempre alguém, dotado de alguma destreza e do bom-senso que nos falta, que tem a generosidade de nos fazer entrar nos eixos e encarrilar nos trilhos da moralidade.
É verdade… Acho que me tenho excedido, nos últimos anos, em algumas acções que pretendem, tão somente, contribuir para a melhoria do local que me viu nascer.
Acredito mesmo que, esses meus actos, possam ser considerados uma “blasfémia”. A tal “vontade de sonhar” com uma terra mais desenvolvida, onde seja agradável viver, sem recurso à desconfiança e à inveja, tem destas coisas. Até porque há sempre os “anónimos” do costume, que nos gostam de “mimar” com a história do “insensato” e da falta de sentido prático das coisas...
Sempre pensei que, por mais pequena que seja, uma acção que vise a melhoria de qualquer aspecto do quotidiano da nossa pequena Vila, seria olhada com compreensão e, porque não, respeito.
Mas não. Ele há gente que não suporta essa capacidade. Não suporta a capacidade ou vontade de sonhar.
Ele há gente que, com a sua mestria, destreza, e “grande” dose de “pedagogia”, “malha” em tudo o que mexe.
Porquê?
Não sei! Mas talvez a resposta possa ser encontrada na seguinte questão:
- Quem poderá desafiar os “verdadeiros e humildes” reféns de um passado distante e que não conseguem sentir o simples prazer de sonhar?
Felizmente, há sempre alguém, dotado de alguma destreza e do bom-senso que nos falta, que tem a generosidade de nos fazer entrar nos eixos e encarrilar nos trilhos da moralidade.
É verdade… Acho que me tenho excedido, nos últimos anos, em algumas acções que pretendem, tão somente, contribuir para a melhoria do local que me viu nascer.
Acredito mesmo que, esses meus actos, possam ser considerados uma “blasfémia”. A tal “vontade de sonhar” com uma terra mais desenvolvida, onde seja agradável viver, sem recurso à desconfiança e à inveja, tem destas coisas. Até porque há sempre os “anónimos” do costume, que nos gostam de “mimar” com a história do “insensato” e da falta de sentido prático das coisas...
Sempre pensei que, por mais pequena que seja, uma acção que vise a melhoria de qualquer aspecto do quotidiano da nossa pequena Vila, seria olhada com compreensão e, porque não, respeito.
Mas não. Ele há gente que não suporta essa capacidade. Não suporta a capacidade ou vontade de sonhar.
Ele há gente que, com a sua mestria, destreza, e “grande” dose de “pedagogia”, “malha” em tudo o que mexe.
Porquê?
Não sei! Mas talvez a resposta possa ser encontrada na seguinte questão:
- Quem poderá desafiar os “verdadeiros e humildes” reféns de um passado distante e que não conseguem sentir o simples prazer de sonhar?
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Espaço Ilha - Inauguração a 20 de Maio de 2010
Do Conceito
NOTAS de Autor
“Marco Polo descreve uma ponte, pedra a pedra.
- Mas qual a pedra que sustém a ponte? Pergunta Kublai Kan.
- A ponte não é sustida por esta ou aquela pedra – responde Marco – mas sim pela linha do arco que elas formam.
Kublai Kan permanece silencioso, reflectindo.
Depois acrescenta: - Porque me falas das pedras? É só o arco que me importa.
Polo responde: - Sem pedras não há arco.”
(In “As Cidades invisíveis”, Italo Calvino)
Tal como a ponte que o viajante descreve, também o sistema de espaços colectivos não é substituído por esta ou aquela praça, por este ou aquele parque, por uma ou outra alameda, mas pelo conjunto integrado que todas elas formam. Afinal, é este o suporte físico de todo o ambiente urbano. Ambiente esse que define as “Terras” e do qual dependem todas as suas vivências.
É pois, nesse contexto da promoção de um melhor ambiente urbano e de uma maior qualificação dos espaços públicos, que surge o projecto do “espaço ilha”, uma proposta que pretende “unir os tempos”, criando ligações em falta entre fragmentos e memórias do passado e as novas realidades e necessidades do presente.
Trata-se, desde logo, de uma intervenção que respeita a memória de um rio, de um povo e de um lugar que viu crescer várias gentes. Uma intervenção que aproxima o objecto à escala e ao espírito do lugar, reinventando a imagem arquitectónica do antigo edifício e conferindo-lhe uma nova linguagem contemporânea.
Nessa perspectiva, a intervenção tem como objectivo, promover a instalação de um novo edifício de carácter colectivo e público – bar/restaurante (substituindo o velho bar da ilha) bem como a renovação e estabilização das margens da ilha e espaços envolventes.
O conjunto intervencionado apresentava-se bastante desqualificado, em que sobressaía o carácter de corpos em ripados de madeira apoiados directamente no solo maltratado, abraçado pelo Rio Uíma, numa ilha criada na década de 60, através da construção de uma represa que “parou” aquele espelho de água.
Na compatibilização do programa estabelecido com as pré-existências naturais e o lugar, instala-se então o novo edifício, o “ZIP ZIP ilha rest caffé”. Um edifício em estrutura metálica, revestido a viroc, aço corten e vidro, parecendo “levitar” em relação ao solo natural. E depois, todo o espaço exterior, com sucessivos pavimentos em deck que, envolvidos em verde, transportam os visitantes até à cota da água.
A volumetria, que dá continuidade ao “natural”, permite perceber o que está para “o lado de lá…”. Os seus planos transparentes, desenhados numa “caixa” branca, tremendamente ortogonal, retocada por uma mancha de cor ocre, completam a paleta em tons verde.
Um convite à reflexão…
O Uíma corre agora mais calmo e poético. Belo como sempre. A esplanada está lá, como outrora. Mas agora coberta, mais convidativa à reunião e à contemplação do plano de água e espaço natural.
De acordo com as necessidades impostas pelo tipo de equipamento, bem como as imposições legais da legislação em vigor, concebeu-se um edifico que engloba: zona de entrada, área social (interior e exterior), área de atendimento (balcão de bebidas), cozinha/copa, despensa geral e despensa de vasilhame, instalações sanitárias separadas por sexos, instalações sanitárias para deficientes; instalações sanitárias e balneários para o pessoal de serviço.
Trata-se de uma solução que pretende usufruir do mais amplo espaço dentro do contexto existente. Pelo facto do estabelecimento se desenvolver no sentido longitudinal do rio, bem como pelo tipo de ocupação e conceito, estamos perante uma solução do tipo “open space”, com a sua extremidade Nascente, a funcionar como “bolsa” de estar e de lazer (esplanada coberta) e de fácil fruição. A “praça de chegada”…
Uma solução que procura tirar partido das transparências, permitindo a leitura de todo o espaço natural envolvente.
Atento às questões da mobilidade, o edifício possui, necessariamente, condições para o acesso, a todos os espaços, de cidadãos de mobilidade condicionada ou reduzida. Neste caso, de realçar a ponte/rampa prevista sobre o Rio Uíma que, além de substituir a antiga travessia pedonal, será um elemento arquitectónico de referência no conjunto.
A proposta exigia a “total” reconfiguração do existente, de modo a criar um espaço com uma qualidade e uma atmosfera de acordo com o tipo de serviço que se pretende oferecer.
Retirou-se pois, do desenho, tudo o que se poderia considerar supérfluo. Pode agora, o visitante, contemplar o espaço natural existente.
Caldas de S. Jorge, Maio de 2010
Pedro Castro e Silva, arquitecto
domingo, 16 de maio de 2010
15.ª
terça-feira, 4 de maio de 2010
Presente para Bento XVI desenhado por Alvaro Siza

Um «ovo» de prata desenhado por Siza Vieira é o presente que vão oferecer a Bento XVI os representantes do mundo da Cultura que com ele se vão encontrar a 12 de Maio, em Lisboa.
A peça de ourivesaria foi apresentada esta Sexta-feira aos jornalistas, a quem Siza confessou ter ficado “aflito” quando recebeu o convite.
“Primeiro veio a ideia de uma pomba, porque é hábito dar à pomba uma simbologia com múltiplos significados”, referiu.
Depois, veio a ideia de criar uma “caixa” com a forma de um ovo. Em declarações à ECCLESIA, o arquitecto português admitiu ter-se inspirado a “referências que todos temos no espírito”.
in agência ecclesia
domingo, 25 de abril de 2010
25 de Abril SEMPRE!

E DEPOIS DO ADEUS (*)
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.
Paulo de Carvalho : E depois do Adeus
Música: José Calvário
Letra: José Niza
(*)Primeira senha para o início da revolução de 25 de Abril de 1974
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Brasília - 50 Anos

BRASÍLIA, capital e sede do Governo do Brasil, comemorou, no passado dia 21 de Abril, 50 anos.
A fabulosa cidade (que já tive o privilegio de visitar), projectada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, foi na altura mandada construir pelo então Presidente da República, Juscelino Kubitschek, com o objectivo de se transformar na capital do Brasil (substituindo-se ao Rio de Janeiro) e com na expectativa de desenvolver o interior daquele país.
Simplesmente... Sublime...
segunda-feira, 12 de abril de 2010
94.608.000 seg
Noventa e quatro milhões, seiscentos e oito mil segundos depois...
Caldas de S. Jorge está... diferente. Para melhor.
O www.caldas-são-jorge.blogspot.com entrou pelas nossas casas “adentro”. Deu-nos notícias boas e menos boas, fez humor e gerou polémicas, foi motor para sólidas amizades e causou desentendimentos, trouxe conhecimento e fez conhecer novos desafios. Ajudou a celebrar Abril.
Evidentemente que há, nestas coisas da blogosfera, um misto de democracia e de impunidade face a posições e/ou comentários sem identidade e sem rosto que, não raras as vezes, promovem ataques ferozes aqueles que, de uma ou de outra forma, se destacam no panorama social da freguesia. Claro que não nos revemos nesta última forma de fazer critica ou de ajuste de contas. Mas, como em tudo, as coisas tenderão a melhorar.
Porque as pessoas se vão conhecendo e porque, nada faz calar a verdade.
Como dizia José Afonso: “seja bem vindo quem vier por bem”...
Post Scriptum: Parabéns a todos os que tornaram e tornam possível o caldas-sao-jorge.blogspot, com especial referência ao ATM e, principalmente, ao AMMC, pelo pioneirismo e dedicação.
Caldas de S. Jorge está... diferente. Para melhor.
O www.caldas-são-jorge.blogspot.com entrou pelas nossas casas “adentro”. Deu-nos notícias boas e menos boas, fez humor e gerou polémicas, foi motor para sólidas amizades e causou desentendimentos, trouxe conhecimento e fez conhecer novos desafios. Ajudou a celebrar Abril.
Evidentemente que há, nestas coisas da blogosfera, um misto de democracia e de impunidade face a posições e/ou comentários sem identidade e sem rosto que, não raras as vezes, promovem ataques ferozes aqueles que, de uma ou de outra forma, se destacam no panorama social da freguesia. Claro que não nos revemos nesta última forma de fazer critica ou de ajuste de contas. Mas, como em tudo, as coisas tenderão a melhorar.
Porque as pessoas se vão conhecendo e porque, nada faz calar a verdade.
Como dizia José Afonso: “seja bem vindo quem vier por bem”...
Post Scriptum: Parabéns a todos os que tornaram e tornam possível o caldas-sao-jorge.blogspot, com especial referência ao ATM e, principalmente, ao AMMC, pelo pioneirismo e dedicação.
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