Há imagens que se repetem todos os dias e que já quase
ninguém questiona: jovens, idosos, mulheres e homens, muitos deles de recursos
modestos, a comprar raspadinhas como quem compra uma pequena esperança.
É difícil não pensar na contradição: um jogo apresentado sob
a capa de uma missão social pode, para algumas famílias, transformar-se num
hábito que pesa incomensuravelmente muito mais do que parece.
Talvez seja tempo de olhar para o jogo não apenas pelo dinheiro que gera ou pelas causas que financia, mas também pelo preço que, silenciosamente, algumas famílias parece terem de pagar.
Porque uma sociedade verdadeiramente responsável não pode
medir apenas o que o jogo dá. Tem também de olhar para aquilo que, todos os
dias, o jogo tira...
