"O atlas
do Grão Kan também contém os mapas das terras prometidas visitadas em
pensamento mas ainda não descobertas ou fundadas: a Nova Atlântida, Utopia, a
Cidade do Sol, Oceana, Tamoé, Harmonia, New-Lamark, Icária.
Pergunta a Marco, Kublai:
- Tu que exploras tudo à tua volta e vês os signos, saberás dizer-me para qual destes futuros nos impelem os ventos propícios?
- Por estes portos não seria capaz de traçar a rota no mapa nem fixar a data da abordagem. Por vezes basta-me um breve trecho que se abre no meio de uma paisagem incongruente, um aflorar de luzes no nevoeiro, o diálogo de dois transeuntes que se encontram durante as suas deambulações, para pensar que partindo dali juntarei peça a peça a cidade perfeita, construída de fragmentos misturados com o resto, de instantes separados por intervalos, por sinais que alguém manda sem saber quem os apanha. Se te disser que a cidade para que tende a minha viagem é descontínua no espaço e no tempo, ora mais dispersa ora mais densa, não acredites que possamos deixar de procurá-la".
[in "As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino]

